terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Miragem

Vendo o verde da relva, tudo está bem
E, como se nada fosse, sopra o vento
Som das cigarras de muito longe vem
Funcionando implícito tal chamamento.

Porém há no ar certo modo de espera,
Que apela à inércia de um caminhante
Estático, fica pensado na sua amante
Enquanto o seu cativo coração acelera.

Não existe assim movimento rompante,
Ainda que uma araponga oculta cante.
Pois aquilo tudo faz parte da paisagem

Então tudo está bem como deve estar
Fazendo parte duma existência regular
Bem real, tão real como uma miragem.

4 comentários:

  1. Meu caro amigo poeta Jair, eis um soneto quase perfeito, tendo em vista que a perfeição não é deste mundo (será que não há mesmo perfeição por aqui? Mas em alguns momentos, quando paramos de pensar e nos fixamos no mundo à nossa volta, parece que nos integramos com o perfeito! Será mesmo!), mas enfim, os tercetos estão à altura de um Fernando Pessoa. Parabéns, poeta!
    Um abração. Tenhas um ótimo dia.

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  2. Amigo, lendo mais uma vez o poema, percebo que fui injusto no veredito emitido: o soneto inteiro está à altura de Fernando Pessoa, isso no juízo de valor, pois o teu estilo é bem peculiar, bem pessoal, enfim, autoralíssimo. Mais uma vez, parabéns!

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    1. Dilmar,
      Não mereço, mas fico sensibilizado. Obrigado!

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    2. Mereces, amigo. Teu trabalho é muito bom!

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